COMO COMEÇAMOS

A Cimeira Menstruação nasceu do trabalho conjunto de Rita Andrade e Sheila Góis Habib, duas educadoras menstruais com percursos distintos, mas unidas por um propósito comum: tornar o conhecimento sobre o ciclo menstrual acessível a todas as pessoas.

Conheceram-se no programa de incubação SEGIE do Nova SBE Haddad Entrepreneurship Institute. Ao longo de 10 meses de trabalho conjunto e após três eventos organizados em parceria, foram duas das três vencedoras do Prémio SEGIE, pelo impacto social dos projetos na promoção da igualdade de género e inclusão.

Em 2025 organizaram o que acreditam ter sido o primeiro evento em Portugal dedicado a assinalar o Dia Internacional da Dignidade Menstrual (28 de maio) com a visibilidade, profundidade e rigor que este tema merece.

Partiram de uma pergunta simples, mas politicamente radical:

“E se conseguíssemos falar sobre menstruação sem eufemismos? E se a sociedade reconhecesse o ciclo menstrual como um sinal de saúde, um direito humano e uma oportunidade de autoconhecimento?”

Criaram um espaço público onde foi possível falar, sem vergonha e sem constrangimento, sobre saúde menstrual, sexualidade, endometriose, literacia corporal, menopausa, direitos de quem menstrua e sobre o impacto do ciclo infradiano no trabalho, na energia e no bem-estar.

Num mundo organizado segundo ritmos masculinos (cisgénero), defendem o reconhecimento da ciclicidade como uma dimensão fundamental da saúde e da justiça social.

Este evento tornou visível aquilo que tantas mulheres e outras pessoas que menstruam têm vindo a denunciar: a medicalização excessiva dos seus corpos, a falta de informação acessível, o peso do estigma e a forma como o desconhecimento tem sido historicamente usado como instrumento de controlo.

QUEM SOMOS

Rita Andrade

Mestre em Psicologia Escolar e Educadora Menstrual

Sheila Góis Habib

Mestre em Direitos Humanos e Educadora Menstrual

o que nos une é um propósito comum:

A convicção de que o acesso ao conhecimento sobre o corpo não pode continuar a ser um privilégio, é um direito humano.

MISSÃO

Democratizar o conhecimento sobre o ciclo menstrual, trazendo-o para o espaço público como uma questão de saúde, dignidade e justiça social.

VISÃO

Construir um mundo onde todas as pessoas, independentemente de género, identidade ou experiência menstrual, tenham acesso a informação fiável e fundamentada sobre o ciclo menstrual, reconhecendo que compreender a menstruação é um ato de cuidado coletivo e de transformação social.

O que nos move

Partimos da ideia de que considerar o ciclo menstrual vai muito além de falar sobre ele ou de organizar um evento. É pensar o impacto real na vida de quem cicla, em diferentes esferas, como trabalho, vida pessoal ou espaço público, refletindo sobre dignidade, bem-estar e qualidade de vida.

Uma sociedade que considera o ciclo menstrual organiza-se para garantir dignidade, qualidade de vida e bem-estar a quem cicla. Esse impacto não se limita à saúde física, mas estende-se à saúde mental, ligando corpo e mente.

Entendemos o ciclo menstrual como um ponto de partida para refletir sobre o cuidado, tantas vezes invisibilizado – do autocuidado ao cuidado coletivo – e para questionar estruturas sociais, normas e hierarquias de género.

Por acreditarmos que a saúde menstrual é um direito humano e um assunto de justiça social, a Cimeira tem um forte cariz social. Procuramos praticar aquilo que defendemos, garantindo valores de inscrição acessíveis e criando condições para que o conhecimento, o debate e o cuidado não sejam privilégios de poucas pessoas.

Acreditamos que menstruar é um ato político e que a literacia menstrual é essencial para a equidade de género e para a saúde pública.

Da edição de 2025 para o futuro

O impacto da primeira edição confirmou a necessidade urgente de continuar este trabalho. A Cimeira Menstruação é hoje um espaço anual de encontro, reflexão e ação coletiva, reunindo profissionais de saúde, educação, políticas públicas e sociedade civil para transformar a forma como a menstruação é compreendida em Portugal.

Em 2026, continuamos este movimento.

"MENSTRUAR É UM ATO POLÍTICO!"

Rita & Sheila